O Reciclon
Com um pequeno toque no pedacinho de uma estrutura de aço, naquele tempo,
ele foi se desintegrando pelas praias onde fora colocado para viver, e dentro
daquele período tentei imaginar um mundo perfeito para que ele vivesse realizar
os sonhos e tentar diminuir o impacto cruel do meio em que ele se deslumbrava.
Entre tantas descobertas e achados, eu encontrei um caminho que me surpreendeu
ao longo da minha existência. E assim, ao primeiro toque dentro de uma época a
qual não entendia os preceitos básicos da química, física, magia e a arte, fora
desenvolvido para ter vida eterna e sobressair sobre os preceitos lógicos da
funcionalidade emocional e intuitiva. No entanto, os comandos mais remotos da
natureza, as intempéries foram implacáveis com ele. A interação básica da
participação intencional e racional do mecanismo funcional do cérebro
reciclônico fora interligada com os membros e conectada ao comportamento social
dentro do contexto da reciclagem moderna, criando assim uma criatura nova, o
denominado Reciclon.
O corpo estrutural de elementos puros, com resistência a corrosão e
marcados com um toque de encanto pelo criador, favoreceu o surgimento de uma
forma única de representação no contexto que ele será colocado a prova. Sem
parâmetros da sua construção o corpo foi erguido a fogo e moldado em aço, numa
forma octogonal e nuances piramidais na estrutura superior, moldado com
encaixes de silício ao redor de sua cobertura octogonal. Sustentado pelos
rodízios deslizantes ele movia-se com delicadeza na superfície lisa do piso,
entretanto no local de sua morada (praia) ele ficou paralisado e preso pelas
cordas do tempo impossibilitando sua tênue descoberta do prazer de ir ou vir. Os
braços tinham a sustentação de uma série de movimentos básicos que no final
junto com suas mãos eram parte do pequeno giro de acenos eternos. A cabeça
rotativa em 360 graus era o esplendor de sua movimentação, o elemento
inexorável de pura sensação. Segundo o qual era possível encontrar o melhor
ângulo de observação e interação com os vários elementos da natureza, inclusive
o Homem. Os olhos que tudo observaram, conseguiram ao longo de seu período existencial
verificar a sensibilidade eterna do meio que o cercava. Conectado com centenas
de fios e ligações eletrônicas, e com giros espetaculares de movimentos
rítmicos, de notável sensibilidade a presença de seus observadores.